Passei a semana a pensar sobre o que escrever em meu último texto do ano. Pensei na rebelião dos jovens que sacode a Grécia e, parece-me, é pouco conhecida por aqui. [1] Pensei, ainda, em escrever sobre a publicação do meu livro Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária (Ijuí: Unijuí, 2008, 344p.). A obra chegou à minha residência na última segunda-feira e meu primeiro impulso foi compartilhar a imensa alegria que sentia. Afinal, a publicação de um livro é um momento gratificante na vida. Dizem até que um homem, para se realizar, deve ser pai, plantar uma árvore e publicar um livro. Este é mesmo como um “filho”, com a diferença de que, para nascer, depende contribuição de várias pessoas. Não fosse o apoio dos muitos com quem convivi neste período, desde a fase em que esta obra era apenas uma idéia para um projeto de pesquisa, não teria se tornado realidade. A lista de agradecimentos é grande e não cabe aqui. [2] Embora tenha um autor, o livro é uma construção coletiva. Resulta de uma longa caminhada, às vezes tortuosas e cheia de percalços e tensões, mas também com episódios marcantes e descobertas, além das amizades e vínculos pessoais consolidados.
Publicar, do latin publicare, significa tornar público, manifesto, divulgar, fazer-se conhecer, declarar-se. Assim, define o bom Aurélio. É, portanto, uma imensa alegria tornar público, dar a conhecer e submeter à apreciação pública um trabalho originalmente elaborado para ser lido por uma banca de avaliadores e, posteriormente, por um ou outro leitor mais interessado. O livro tem a vantagem de ser um texto reescrito, reelaborado, a partir da tese mas com a preocupação de torná-lo inteligível e de leitura mais agradável a um público mais amplo do que a banca que apreciou o texto original. [3]
Estou, portanto, muito contente e compartilho esse momento ímpar na minha vida contigo. Quero, sobretudo, agradecer a vocês, caros leitores, por acompanhar este blog e seus textos despretensiosos. Sim, sei que na maioria das vezes trata-se apenas de uma relação virtual e mesmo impessoal. Mas também sei que as palavras constroem vínculos, geram possibilidades para novas relações, amizades virtuais e reais. Estas podem se fortalecer e se consolidar. (Recentemente, por exemplo, em viagem ao Maranhão, conheci pessoas especiais que me conheciam apenas pela Internet).
Quando escrevo, caro leitor, tenho você em conta e alta estima. Sei que as possibilidades da rede são imensas, que sua caixa postal é diariamente invadida com dezenas de mensagens oferecendo várias leituras. É um privilégio, portanto, tê-lo como leitor, como leitora. [4] E me importa sim quem você é. Porque do outro lado, à frente do monitor, não há um robô, uma máquina, mas sim um ser humano. [5] Ao tomar o seu precioso tempo e me brindar com um comentário ou um email, suas palavras não são abstrações virtuais, mas testemunhas da sua existência. Se mereço sua atenção, importa-me sim saber de ti.
Ao agradecer por me privilegiar como seu interlocutor, o faço à pessoa de carne e osso, com sentimentos e emoções, ainda que o email pareça mera formalidade. E ainda que eu não responda ao seu comentário, à sua mensagem, devido às tribulações e excesso de trabalho, ou mesmo por não ter o seu email, tenha certeza de que li e que isto fez diferença.
Quero, assim, finalizar com um agradecimento sincero a vocês, caros leitores, anônimo ou não, amigo virtual ou real, colegas e ex-alunos, familiares, etc. Sem você não haveria porque manter este espaço, nem porque dedicar boa parte da minha vida a escrever. Tenho sorte em tê-los como interlocutores reais ou potenciais. Meu sincero muito obrigado e votos de Boas Festas e um Feliz Ano Novo!
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[1] Na net, porém, há vários sites, blogs, grupos de discussão, etc., pelos quais é possível se informar e acompanhar o desenrolar diário da rebeldia grega, já comparável ao maio de 1968. Por exemplo, participo do grupo Fórum Libertário, mas uma simples busca pelo Google indicará várias possibilidades de informações. Algumas imagens impressionantes deste movimento podem ser encontradas em meu Orkut: http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=18093752657073259152
[2] Gostaria, porém, de fazer um registro especial à minha família, a minha mãe e os amigos Beatriz Tragtenberg, Nelson Piletti, Paulo Denisar Fraga e Walter Praxedes, aos quais dedico o livro.
[3] A tese “Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária” foi defendida no dia 13 de abril de 2004, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP), sob a orientação do Prof. Dr. Nelson Piletti (USP) e com a participação dos professores Celso Rui de Beisiegel (FE/USP), Henrique Rattner (FEA/USP), Paulo Edgar Almeida Resende (PUC/SP) e Walter Praxedes (UEM). O texto na íntegra está disponível em http://www.4shared.com/file/76216035/366bce7d/DOUTORADO.html
[4] Ver “Vossa Excelência, o(a) leitor(a)”, de 22 de março de 2008, disponível em http://antonio-ozai.blogspot.com/2008/03/vossa-excelncia-oa-leitora.html
[5] Ver “Homens e máquinas”, de 25 de agosto de 2007, disponível em http://antonio-ozai.blogspot.com/2007/08/homens-e-mquinas.html




