quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Eu voto nulo!

“Vote pela vida”, “em quem trabalha pra você”, “em benefício da nossa gente”, em quem vai lutar pelo seu bairro e por você, em alguém “honesto que possa atender seu pedido quando você precisar”, “em quem tem experiência, em quem já fez e tem muito a fazer por você”. Todos querem o seu voto, todos querem representá-lo e estão ávidos para defender os interesses da população, os “seus interesses”, os “interesses da terceira idade, das crianças, dos jovens, das famílias”.

Há os modestos, os que se afirmam os paladinos de interesses específicos, da construção civil, dos vendedores, dos funcionários públicos, etc. Mas todos, indubitavelmente, querem nos fazer crer de que uma instituição como a câmara municipal é representativa dos interesses do conjunto dos cidadãos, considerados de forma abstrata e genérica. Você realmente acredita que eles possam representar os “seus” interesses?

Eles querem nos convencer de que precisamos deles e restringem nossa cidadania ao ato de escolher um entre eles. Prometem que trabalharão por nós e pela comunidade. Só temos que elegê-los. Cuidemos da nossa vida, eles nos representarão. Nas próximas eleições talvez sejam candidatos a deputados ou outros cargos. Será melhor para eles: estarão ainda mais longe dos nossos olhos. Mas, agora, eles precisam de você, de mim, dessa coisa genérica que eles chamam de “comunidade”. “Vamos trabalhar pela comunidade”, dizem.

Querem conquistar o seu voto e poderem representá-lo – e claro, a remuneração e outros benefícios por isso. Um afirma que nasceu e mora na cidade há décadas e que “chegou a hora de retribuir” tudo o que recebeu – ótima forma de retribuir! Outro pede uma espécie de retribuição pelas décadas de “vida pública”, ou seja, que o eleitor contribua para que possa ficar outros tantos anos. Os candidatos à reeleição têm o mesmo propósito: “continuar a trabalhar por você”. “Quero continuar a servir a população”, “como vereador vou ter condições de fazer mais por você”, “conto com seu o voto para continuar trabalhando pela comunidade”, insistem.

“Vamos dar as mãos e lutar pela saúde” (vote em mim!). “Eu e você para acontecer” (o que?!). “Levarei sua voz para a câmara” (e por acaso preciso que alguém fale por mim!).
Todos querem trabalhar por você e pela comunidade. Que lindo! Quanto desprendimento! São homens e mulheres de boa vontade, “bem-aventurados” e que também apelam para o discurso religioso. “Olá irmão eleitor”, diz um. Ora, nunca o vi e nem se parece comigo. Como pode ser meu irmão?! Há quem tenha “Deus no coração, amor ao próximo” e mãos para trabalhar por você. Que comovente!

O altruísmo parece guiá-los. “Apoiarei as entidades para promover a diminuição da desigualdade social entre ricos e pobres”, escuto. Não fica claro se os pobres ficarão mais ricos, ou os ricos mais pobres – ou o contrário. Mas ele promete. Quem sabe talvez socialize os recursos e salário que terá.

Todos querem nos convencer de que são os melhores para nos representar. Até mesmo os candidatos dos partidos da esquerda. Há quem realmente acredite no que fala; há quem acredita no que os outros falam; e há os honestos e bem-aventurados. Todos fazem o discurso da representação. Não perguntam se quero ou se posso ser representado. É preciso refletir sobre a própria idéia da representação.

“Chega, chega dos mesmos! Caro eleitor, vamos dar um basta nessa palhaçada”, afirma o candidato. Concordo! Levarei a sério e não votarei, muito menos nele. Diz, categoricamente, outro: “Pense e vote conseqüente”. Agradeço e serei conseqüente: votarei nulo! E você, caro eleitor?!

20 comentários:

Carla Sandrinne disse...

Como se faz para anular o voto na urna eletrônica?
Ando pensando nisso, e seu texto 'caiu do céu'.
Obrigada
San

Quem sou eu disse...

Caro Ozaí, infelizmente, não posso contrapor as minhas observações às suas; não tenho nenhum argumento razoável acerca do "show" do pleito eleitoral, nem da farsa pseudodemocrática que os candidatos ensejam. Todavia, ainda prefiro votar nos menos piores, e acredito seriamente que há uma grande diferença entre esses e os "mais" piores. E essa grande diferença pode ser refletida, ainda que de forma bastante minimizada, nas práticas e políticas públicas. Penso, depois das entrevistas e investigações que fiz acerca do vereadores, que seria uma injustiça de minha parte, colocar candidatos como Humberto Henrique e Dr. Manoel, mesmo Mário Hossokawa (que considero dignos) em um mesmo "saco", ou como se fosse iguais a outros como John, Edith, Zebrão e Fogueteiro (que considero "descarados"). É um esforço quase sobre-humano ser reto e íntegro na política, e um esforço quase "solitário", que não posso deixar de apoiar aqueles que se propõe a fazê-lo.

Sisifo disse...

Azevedo e-mail icaroazevedo@uol.com.br.

Ozaí, nas eleições passada fiz campanha e defendi ferrenhamente a prática do voto nulo como forma de protesto. Posteriormente às eleiçoes municipais (as últimas) verifiquei ter havido 5 municípios com maior número de voltos nulos que os válidos; sendo portanto, anulada a eleição. Dentre estas Prefeituras acompanhei a de Rosana, uma cidadezinha encravada no Pontal do Paranapanema. Foi realizada nova eleição com outros candidatos e o Prefeito não terminou o mandato. Então a gente vê que não tem jeito, mesmo. Se correr o bicho pega e se ficar o lobo come. O problema é do povo e não dos políticos, pois estes são extraídos do próprio meio em que vivem.

Marceli Correia disse...

Oi, Ozaí! E se todos votassem nulo? E se ninguém fosse as urnas?
Era o que eu queria ver!!!
Se aceitamos a corrupção é porque antes já nos corrompemos...Será isso verdadeiro?

Starik disse...

Sem delongas, concordo com o escrito do Ozaí e também voto nulo e faço campanha para que tal fato um dia obtenha sucesso e possamos nos livrar dos políticos lacaios das multinacionais.
Saudações vermelhas e indignadas!
Máuri de Carvalho

Daliana Antonio disse...

vou contigo!
votarei nulo!

Pc disse...

Votar nulo na urna eletrônica é digitar um número que não pertence a nenhum dos partidos que está concorrendo. Para o legislativo, igualmente, mas com o número de algarismos do candidato ou da legenda que não concorra no Município. Boa sorte.

Cássio Augusto disse...

Apesar de concordar com seus argumentos, não sou favorável ao voto nulo. Penso que uma geração inteira lutou pelo direito ao voto, e temos que tem isso sempre em mente. Votar nulo é "lavar as mãos", é nos escondermos, é "fugir" da responsabilidade em escolher "o menos pior" (que seja!) e deixar que outros o façam por nós. Quem vota nulo não tem do que nem de quem nem pra quem reclamar depois!

Marceli Correia disse...

Este é o problema, quem reclama ou reivindica após o voto? Votamos cegamente e continuamos assim, no mesmo de sempre, no “menos pior”. Até quando? Lutamos pela conquista do voto, mas esquecemos de todos os ideais que nos impulsionaram...Nós nos permitimos a impunidade.
Eu não tenho a solução, quem me dera! Mas todo este sistema é tão falho, o horário político, a proposta dos candidatos...tudo me lembra mais um circo, uma comédia que não deixa de ser trágica...Será que se não votássemos, poderíamos assim, realmente, nos representar? Não seria essa uma manifestação da nossa indignação e anseios por mudanças urgentemente necessárias?

Camila.Haase disse...

Espero que o Sisifo (o Azevedo) continue com a campanha pelo voto nulo! E que como ele, exista outros milhares de brasileiros.
Sugiro a leitura de uma pesquisa feita pela Associação dos Magistrados Brasileiros acerca da porcentagem dos brasileiros que acreditam nas promessas políticas de campanha:
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/93469/pesquisa-revela-que-47-dos-eleitores-nao-acreditam-em-promessas-de-campanha
Pode-se ver que é grande o número de eleitores que não acredita, e que não espera que o político faça verdadeiramente algo por ele. Então, votar no “menos pior”? Que é isso? É “tapar sol com peneira”! É ser conivente e aceitar tudo que está por aí. Bem você perguntou, Antonio: precisamos que alguém fale por nós?

Certo, conquistamos o direito ao voto, mas entre a “Diretas Já!” e as campanhas nada ideológicas de hoje, definitivamente não quer dizer que tenhamos de votar em alguém só para tapar o buraco. Pois, se houver conscientização, ao serem contabilizados os votos nulo e em branco, vai se demonstrar de fato a insatisfação do povo!

Já temos que votar obrigatoriamente (faz 76 anos), o que já é em si usurpação de direito, como disse Cony em seu artigo: “O voto obrigatório é a causa principal que cria os currais eleitorais, os votos de cabresto. Por um motivo qualquer, o cidadão não tem interesse na vida pública, por falta de educação ou por excesso dela. Obrigado a votar, para não sofrer sanções que não chegam a ser punitivas mas apenas incômodas, cumprem o chamado dever cívico com má vontade [...]”. (Aliás, na mesma pesquisa veremos a porcentagem da população que não votaria se o voto fosse facultativo...)
De Emma Goldman: “Essa aparência de direito era o meio mais cômodo de governar o povo, pois o governo não pode existir sem o consentimento do povo, consentimento verdadeiro, tácito ou simulado. O constitucionalismo e a democracia são as formas modernas desse pretenso consentimento [...]”.

Também estou contigo! Vamos votar nulo!

eduardo meksenas disse...

Grande Antonio,
Desde 2004 eu voto nulo. Veja bem: eu não anulo o meu voto: eu voto nulo.
É o único meio de eu não participar desse sistema político e desse sistema partidário que estão aí. O voto nulo é válido politicmente.

Nós não participamos das escolhas dos candidatos que serão lançados pelos partidos. A maquinação já começa aí. Nem adianta ser filiado, nos bastidores é que firmam-se compromissos de grupos e tudo é decidido.

Um candidato tem de obrigatoriamente pertencer a um partido, a camisa de força do político já começa aí.
E o jogo de alianças espúrias e poder econômico ainda decidem os resultados.

Eu não quero participar disso aí, não. Eu voto nulo.

Nós estamos numa democracia formal, onde a igualdade é apenas jurídica, não econômica, e muito menos universal, e as eleições são apenas a maquiagem dessa democracia formal.Nada de maquiagem. Estou fora.

Até 2002 eu votava na esquerda porque tinha esperanças em homens e partidos de esquerda. Hoje não tenho mais, seja porque a “esquerda” no poder faz a política neoliberal da classe dominante, seja porque a esquerda que busca o poder terá de compactuar com o esquema ilícito que funciona nos labirintos do Congresso para poder existir.

E não adianta casos de idoneidade e idealismo de políticos individuais: a camisa de força dos partidos e os votos de liderança atropelam os idealistas individuais.
Estou fora. Voto nulo.

Um abraço a todos.

SOCIALISMO E LIBERDADE disse...

Respeito sua opinião,mais como político,candidato a vereador, cientista´político, socialista, não posso aceitar, mesmo sabendo que a cultura de nosso povo é essa mesma sua, acham que todos são farinha do mesmo saco, o que éuma mentira e eles gostam que permaneçam como estar. Pergunte ao cancerologista como ele acaba com o cancer é extirpando as bolhas de pús. Vejo por aí, temos que acabar com os vagabundos de plantão. Venho domovimento estudantil, nunca fui candidato a cargo político esta é minha primeira vez e o que estou ouvindo nas ruas é sua manifestação, o que é uma. Observe que no Brasil existem políticos sérios como PEDRO SIMOM, JEFERSSON PERES, FALECIDO, ULISSES GUIMARÂES, E tantos outros que simplesmente nunca fizeram da política meio de vida. Abraços.

Jean Menezes disse...

Ozaí,
Muito bom esse texto sobre o voto nulo. Entendo que o correto é não participar formalmente desse processo de escolha feito pelo Estado burguês, e que nada representa o proletariado.
Concordo com o texto, pois não reconheço a legitimidade desse processo!
Parabéns pela matéria... vou ajudar a divulgar com toda força revolucionária a partir aqui de Rio Preto!
Saudações,
Jean.
fafica_95@yahoo.com.br

Lucas disse...

hahah.. muito bom! Carla, para votar nulo é só digitar um número não que não existe tipo 00 0000 e confirmar. abraço!

Gauche disse...

Eu não compreendo como as pessoas dizem em votar no menos pior. O que é menos pior para você, caro leitor? Posso estar exagerada, mas o que percebo é que o menos pior é aquele político iniciante, simplesmente porque ainda não lhe foi dado 'plenos poderes' de agir.

Para mim,essa essa de menos pior é pura falácia!

E sim, votar nulo é lavar as mãos. Melhor anular-se claramente, que depois de ver o seu candidato fazendo parafernália, dizer: "eu não votei nele."

O antigo prefeito da minha cidade foi caçado depois de roubar R$1.000.000,00 de reais da prefeitua, entre outros pormenores. Todos falavam mal dele. Naquele momento ninguém assumia a sua parcela de culpa por ter colocado aquela quantia nas mãos do salafrário.

Eu estou contigo, Ozaí!

Beijos e parabéns pelo texto.

eduardo meksenas disse...

Gauche e demais amigos:

vamos colocar as idéias no lugar.
Votar nulo não é lavar as mãos - lavar as mãos é votar em branco.

Quem vota em branco diz "qualquer um desses candidatos aí serve" e "tudo está bom, nada precisa ser mudado".
Quem vota nulo diz "nenhum desses candidatos aí serve" e "nada está bom, tudo precisa ser mudado".Além de, é claro, não compactuar com essa "maquiagem democrática".


Há uma diferença, né? E que diferença !!!

Abraço a todos.

Leandro disse...

Caro Ozaí,
Estou contigo e com a maioria do pessoal que deixou suas opiniões no blog. Ora acho interessante alguém falar que votar nulo é se desfazer de um direito conquistado. P... também foi conquistado o meu direito de achar que ninguém que está no cenário político atual merece meu voto. Não vamos entrar naquela conversa de que quem não vota não exerce sua cidadania. Não vejo progandas incentivando o povo a lutar diretamente por seus interesses.
Penso que o sistema só vai melhorar quando for demolido, por isto tô dentro da campanha pelo voto nulo. Já venho fazendo isto à algum tempo, mas agora quando vejo, em Sarandi, o PC do B apoiado o PP, me dá medo. E alguns colegas ainda dizem que é para escolher o "menos pior", se uma aliança como esta é feita antes da eleição imagina depois.
Outra coisa, há aqueles que dizem que se voto nulo não tenho o direito de reclamar depois. Outra besteira, pois tenho os mesmos direitos que qualquer outro cidadão, independente da minha opção política. Isto só não serve para quem tem interesse em cargos, ou outros benefícios oriundos do jogo político.
Abs

Roberto Vital Anau disse...

Ozaí, desta vez vou tomar a liberdade de discordar de você e da maioria dos comentaristas. Sua crítica aos políticos está correta. Também é correto achar legítimo o voto nulo. É um direito democrático. Nenhum argumento que questione isso vai ao fundo da questão. Também o argumento do "menos pior" me parece frágil. Lembra o "voto útil" que muita gente exigia do PT e PDT, para que eles apoiassem o PMDB que era mais forte para derrotar o PDS da ditadura. Nunca aceitei esses argumentos, pois não levam a lugar nenhum. O PMDB não era uma alternativa, como ficou claríssimo depois. E a força se constrói, não precisa querer ganhar tudo de primeira. Outra coisa é saber se o PT e o PDT mantiveram a coerência depois. A resposta negativa não justifica agora o voto nulo.

Então, qual o problema com o voto nulo? É que ele também não leva a nada. Voto nulo só como protesto contra "tudo que está aí" é tão vazio quanto o "menos pior". O que se propõe no lugar? Tem que propor, sim,não vale dizer que não tem obrigação de propor nada. Aí já vira irresponsabilidade. Eu posso estar de saco cheio (desculpe!), mas não vou transformar isso em posição política.

Se nada for proposto, o melhor que pode acontecer é continuar tudo como dantes na terra de Abrantes - aliás, um dos comentaristas mostrou em exemplo disso. E o pior, que você está deixando de considerar, é reforçar as alternativas autoritárias e fascistóiides. O fascismo sempre começou atacando a democracia, a corrupção, a desonestidade e os vícios tradicionais dos políticos.

Fiz campanha pelo voto nulo contra a ditadura, porque não era democrático o processo eleitoral. A campanha propounha "por um partido operário". Uma democracia de verdade deveria permitir uma alternativa classista. A ditadura impedia. Então o protesto apontava a construção de um novo partido de baixo para cima.

Meu problema com o anarquismo é que, ao não propor nenhuma organização, ele deixa o campo aberto para os de sempre mandarem. O perigo de burocratizar e pasteurizar a esquerda é permanente, sem dúvida. O PT e o PCdoB que o digam. Mas não apontar nenhum caminho me parece o pior caminho. Ainda acredito que uma alternativa de esquerda seja possível. Por enquanto voto no PT, apesar de todas as decepções. Não vejo alternativas melhores e acho que no seu interior ainda há muita gente boa. Mas, no dia em que deixar de votar, será para apoiar outra proposta e não proposta nenhuma.

Com todo o respeito pela sua opinião, um abraço.

Roberto Vital Anau disse...

Ozaí, desta vez vou tomar a liberdade de discordar de você e da maioria dos comentaristas. Sua crítica aos políticos está correta. Também é correto achar legítimo o voto nulo. É um direito democrático. Nenhum argumento que questione isso vai ao fundo da questão. Também o argumento do "menos pior" me parece frágil. Lembra o "voto útil" que muita gente exigia do PT e PDT, para que eles apoiassem o PMDB que era mais forte para derrotar o PDS da ditadura. Nunca aceitei esses argumentos, pois não levam a lugar nenhum. O PMDB não era uma alternativa, como ficou claríssimo depois. E a força se constrói, não precisa querer ganhar tudo de primeira. Outra coisa é saber se o PT e o PDT mantiveram a coerência depois. A resposta negativa não justifica agora o voto nulo.

Então, qual o problema com o voto nulo? É que ele também não leva a nada. Voto nulo só como protesto contra "tudo que está aí" é tão vazio quanto o "menos pior". O que se propõe no lugar? Tem que propor, sim,não vale dizer que não tem obrigação de propor nada. Aí já vira irresponsabilidade. Eu posso estar de saco cheio (desculpe!), mas não vou transformar isso em posição política.

Se nada for proposto, o melhor que pode acontecer é continuar tudo como dantes na terra de Abrantes - aliás, um dos comentaristas mostrou em exemplo disso. E o pior, que você está deixando de considerar, é reforçar as alternativas autoritárias e fascistóides. O fascismo sempre começou atacando a democracia, a corrupção, a desonestidade e os vícios tradicionais dos políticos.

Fiz campanha pelo voto nulo contra a ditadura, porque o processo eleitoral não era democrático . A campanha propunha "por um partido operário". Uma democracia de verdade deveria permitir uma alternativa classista. A ditadura impedia. Então o protesto apontava a construção de um novo partido de baixo para cima.

Meu problema com o anarquismo é que, ao não propor nenhuma organização, ele deixa o campo aberto para os de sempre mandarem. O perigo de burocratizar e pasteurizar a esquerda é permanente, sem dúvida. O PT e o PCdoB que o digam. Mas não apontar nenhum caminho me parece o pior caminho. Ainda acredito que uma alternativa de esquerda seja possível. Por enquanto voto no PT, apesar de todas as decepções. Não vejo alternativas melhores e acho que no seu interior ainda há muita gente boa. Mas, no dia em que deixar de votar, será para apoiar outra proposta e não proposta nenhuma.

Com todo o respeito pela sua opinião, um abraço.

Tânia Marques disse...

Adorei o seu post. Levei o selo do voto nulo para os meus blogs, logicamente se alguém clicar nele remeterá ao teu post. Visite os meus blogs, quando puderes. Beijos
www.marquesiano.blogspot.com
http://wwwpalavraseimagens.blogspot.com (sem ponto depois de www)
www.degraucultural.blogspot.com