domingo, 3 de janeiro de 2010

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A culpa é do professor?!

Há fatos que se repetem todo final de ano. São outros nomes e rostos, mas há algo similar no comportamento de certos estudantes que demonstram imaturidade acadêmica e intelectual. Em geral, é o que não cumpre minimamente os deveres enquanto “acadêmicos”. Felizmente, trata-se de um ou outro caso. Mas, como são desgastantes!!!

Reconheço que os estudantes são submetidos às pressões e exigências que os forçam a adotar “estratégias de sobrevivência”. Isto significa, por exemplo, rifar determinadas disciplinas para concentrar-se em outras com maiores exigências e ‘rigor professoral’. É a necessidade de tirar a nota, de passar de ano! Muitas vezes, a matéria rifada é considerada sem importância ou o professor é tido como pouco exigente, “bonzinho”, “café com leite”. Por que dedicar-se a disciplinas cujos conteúdos parecem nada acrescentar à formação do futuro advogado, promotor, juiz? Pra quê estudar Ciência Política e autores como Tocqueville, Stuart Mill e Karl Marx? Em que isto contribui para passar no exame da OAB ou num concurso público? A desimportância, aliás, é confirmada pela própria organização da grade curricular, na medida em que estas disciplinas são relegadas às sextas-feiras, últimos horários; ou quando se decide pela retirada da disciplina do curso.

Compreendo tudo isto, mas não entendo a facilidade que alguns têm em jogar o problema para o outro. Ora, no início do semestre letivo o professor estabelece prazos, flexibiliza-os a partir das necessidades dos alunos e, mesmo assim, não são cumpridos. O professor solicita trabalho escrito que pressupõe a leitura de um livro, assimilação da teoria e análise. No primeiro dia de aula ele estabelece a data limite para entregar: o último dia do ano. E mesmo assim, não se cumpre o prazo. O aluno deixa tudo de lado, dedica-se à suas prioridades e faz a atividade solicitada de qualquer forma (não vou usar aquela expressão chula e machista). Na verdade, não lê a obra e utiliza o surrado recurso do CONTROL C / CONTROL V, ou seja, plágio. O que pensa este aluno? Que o professor é um relapso e não ler o que solicita? Há algo que justifique tal atitude?

Até compreendo, mas compreender não é aceitar. E o que mais irrita nestes casos não é a atitude em si, mas o jogo de empurra, a transferência de responsabilidade. Se cometo um ato que visa ludibriar alguém e sou descoberto, devo pedir desculpas – que o outro aceita se quiser – e assumir. Ponto! Geralmente a desculpa, às vezes sincera, vem acompanhada de pedido de clemência. Mas não se trata disso, e sim da maturidade, enquanto indivíduos, para assumirmos os nossos atos.

Este tipo de atitude faz do outro o cúmplice, transferindo para ele a decisão. E, de repente, o professor vê-se diante da necessidade de decidir em relação a um problema que não é dele; e se decide pelo “não”, anda fica com a pecha de “chato” ou coisa do tipo. No limite, se não passo de ano ou não me formo porque fui pego numa maracutaia, cometida por minha livre e espontânea vontade, a culpa, a “máxima culpa” é do outro que não quis ouvir os meus argumentos. Ora, mas por que agi desta maneira? Não é mais sensato assumir as conseqüências do meu ato?

Em suma, desculpe a expressão, é um saco: o aluno não faz a parte dele e transfere para nós, professores, deixando-nos diante da situação de aceitarmos ou alimentarmos uma tensão na qual parece que os "culpados" somos nós. É muita imaturidade, é uma demonstração cabal de ausência de condições para exercer a autonomia; é uma confusão imensa entre liberdade e licenciosidade. A liberdade de agir pressupõe a responsabilidade pela ação e pelos efeitos que ela produz. É simples: cada um de nós deve assumir o ônus das nossas próprias decisões.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Fonte: UOL Fotos, 21.09.09

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fonte: UOL Fotos, 30.01.09

domingo, 20 de dezembro de 2009

Fonte: UOL Fotos, 09 de abril de 2009.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Internet e política



Hitler, Franklin Roosevelt e Getúlio Vargas, souberam como poucos usar o rádio enquanto instrumento político. Quando surgiu a TV, John Kennedy logo percebeu sua utilidade política. Com a Internet não foi diferente. Pouco a pouco os políticos descobriram as vantagens da comunicação virtual: ampliou-se o número de sites político-partidários, blogs, twitter, etc.. Em períodos eleitorais, a Internet transforma-se em mais um campo de disputa. Eles não hesitam em invadir nossos computadores com propaganda eleitoral– muitos devem ter perdido votos por isso.

Por que a Internet faz sucesso na política? Se levarmos em conta a composição social dos usuários temos a resposta: seu público é formador de opinião. O usuário da internet constitui uma elite sócio-econômica – da classe média às grandes empresas, incluindo um setor intermediário com pouco capital econômico mas com certo acúmulo de capital cultural e poder de influência. Isso explica a sua importância política.

Por outro lado, o espectro ideológico na Internet é amplo. A pluralidade de idéias e informações circulando livre e democraticamente, aliado às facilidades da tecnologia, é um fator positivo; mas também negativo: imagine a potencialidade para a difusão de idéias racistas, nazistas, etc.. De qualquer forma, não é por acaso que o uso da Internet sofre restrições em países com governos ditatoriais.

A Internet, advogam os entusiastas, tem potencial para a construção da cidadania e o fortalecimento da democracia. De fato, a rede possibilita condições favoráveis ao acompanhamento e controle dos governantes.

Na Internet, acreditam os mais otimistas, somos todos cidadãos. Para os espíritos mais arrebatados, ela é sinônimo de liberdade e a máxima expressão da democracia. Deslumbrados com as facilidades e possibilidades da rede, os novos jacobinos esquecem que a virtualidade não elimina a realidade social e econômica injusta e desigual. Na verdade, gostemos ou não, a Internet reflete a estrutura de classes e grupos sociais materializada no capitalismo realmente existente.

Somos parte da elite que incorporou o computador ao cotidiano. Muitas vezes, o hábito ofusca a visão e sensibilidade sobre a realidade sócio-econômica. Irmanados em nossas ilhas virtuais, muitos de nós olvidamos um dado simples: a exclusão digital espelha o apartheid social que mantém milhões de pessoas à margem. Enquanto nos irritamos com a lentidão da conexão, com o entulho que recebemos por email, ou com as discussões sobre o sexo dos anjos, os excluídos reais e virtuais tem que matar um tigre a cada dia para terem o direito de viver.

Não obstante, reconhecemos as potencialidades da Internet enquanto meio de ativismo político. Os zapatistas foram pioneiros no uso dessa tecnologia – mas também os grupos fundamentalistas cristãos e a Milícia Norte-Americana nos EUA. Contudo, o exemplo zapatista comprova que a militância virtual é conseqüente na medida em que se vincule a movimentos sociais reais.

É necessário refletirmos sobre o militantismo virtual e até mesmo sobre o significado de escrever e publicar na rede. Não duvido das boas intenções, mas devemos atentar para o auto-engano da supervalorização do meio eletrônico enquanto instrumento de militância. Desvinculada da realidade, a militância virtual pode até alimentar o ego, apaziguar consciências e gerar a ilusão de que convertermos os convertidos. É preciso,porém, reconhecer os limites do ativismo virtual e evitar a ingenuidade dos que imaginam revolucionar a sociedade através de emails ou textos publicados na rede. Para esse tipo de ativismo a revolução está literalmente no ar...
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fonte: UOL Fotos, 09 de março de 2008.